O equipamento chega à obra e a primeira coisa que se vê é o conjunto de obturadores pneumáticos e o tanque de água calibrado com manômetros de precisão. São ferramentas que parecem simples, mas exigem mão de obra experiente, especialmente em São Luís, onde o nível d'água muitas vezes está a menos de dois metros de profundidade. A execução de um ensaio de permeabilidade in situ na capital maranhense pede calma: é preciso estabilizar o furo, posicionar o obturador no trecho a ensaiar e aplicar os degraus de pressão definidos na NBR ISO 22282. O método Lefranc é o mais frequente nos solos arenosos e argilosos da Formação Barreiras, enquanto o Lugeon aparece quando a sondagem atinge o embasamento fraturado que sustenta boa parte dos bairros altos da ilha. Cada metro de ensaio conta uma história diferente sobre como a água se movimenta no subsolo ludovicense.
Na Ilha do Maranhão, a condutividade hidráulica pode variar de 10⁻⁷ a 10⁻³ m/s em menos de cem metros: o ensaio Lefranc captura essa heterogeneidade que nenhum modelo teórico prevê sozinho.
Considerações locais
A NBR ISO 22282-3:2021 estabelece os procedimentos para o ensaio Lefranc, e ignorar a influência da maré na execução do teste em São Luís é um erro que pode invalidar semanas de investigação geotécnica. O sistema aquífero da ilha responde às variações de maré do Golfão Maranhense, com amplitudes de até 6,5 metros que alteram o gradiente hidráulico local mesmo em furos a centenas de metros da linha de costa. Um ensaio de permeabilidade executado sem compensação barométrica ou sem registro contínuo do nível freático pode mascarar zonas de fluxo preferencial ou, pior, indicar um maciço estanque que na realidade só estava com a poropressão momentaneamente equilibrada. Em obras de contenção na região do Anel Viário, subestimar a permeabilidade real do terreno já resultou em erosão interna de aterros e instabilidade de taludes durante o período chuvoso, quando a recarga do aquífero soma-se ao efeito da maré alta. O ensaio Lugeon em rocha fraturada exige atenção redobrada: a injeção de água sob pressão em descontinuidades preenchidas com argila pode provocar amolgamento e leituras irreais de absorção.
Perguntas frequentes
Qual a diferença prática entre o ensaio Lefranc e o Lugeon?
O Lefranc é executado em solos e mede a condutividade hidráulica (k) injetando ou bombeando água em um trecho isolado do furo, geralmente abaixo do revestimento. O Lugeon é específico para maciços rochosos fraturados e trabalha com pressões mais altas — até 10 bar — para avaliar a absorção de água pelas descontinuidades da rocha. Nos dois casos seguimos a NBR ISO 22282, mas o equipamento e a interpretação dos resultados são bem diferentes. Em São Luís, usamos Lefranc nos solos sedimentares e Lugeon quando a sondagem atinge o embasamento cristalino nos bairros mais elevados.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade in situ em São Luís?
O investimento parte de aproximadamente R$ 100.000 para uma campanha básica, mas o valor final depende do número de trechos ensaiados, da profundidade dos furos, do tipo de ensaio (Lefranc ou Lugeon) e da necessidade de monitoramento com compensação de maré. Cada projeto exige um escopo técnico dimensionado para a variabilidade geológica da ilha.
Por que o efeito da maré influencia os resultados do ensaio em São Luís?
A Ilha do Maranhão está situada no Golfão Maranhense, uma região de macromaré com amplitudes que chegam a 6,5 metros. Essa oscilação se propaga pelo aquífero sedimentar e altera o gradiente hidráulico nos furos de sondagem, mesmo em pontos distantes da costa. Um ensaio executado na maré baixa pode indicar uma permeabilidade diferente da maré alta, por isso nosso protocolo inclui o registro contínuo do nível freático e a correção dos dados conforme a fase da maré no momento do teste.
Em que tipo de obra o ensaio Lugeon é obrigatório?
O Lugeon é exigido em projetos de túneis, barragens, escavações subterrâneas e fundações de grande porte sobre maciço rochoso fraturado. Em São Luís, aparece com frequência nas obras de contenção de encostas nos bairros altos e em fundações de edifícios que atingem o embasamento cristalino. O ensaio determina a necessidade de injeções de calda de cimento para reduzir a permeabilidade da rocha e garantir a estabilidade da fundação.